A falta de gás refrigerante é uma das causas mais comuns de ar condicionado que não gela. Mas ao contrário do que muita gente pensa, o gás não se consome com o uso normal. Se o nível está baixo, existe um vazamento, e simplesmente “completar o gás” sem localizar e corrigir a causa vai resolver o problema por pouco tempo.
O gás refrigerante não se gasta sozinho
Esse é o ponto mais importante e o mais frequentemente ignorado. Em um sistema fechado e sem vazamentos, o gás refrigerante circula em ciclo contínuo sem ser consumido. Um ar condicionado instalado corretamente e sem vazamentos deveria funcionar por toda sua vida útil sem nunca precisar de recarga.
Se o gás está em falta, a causa é sempre um vazamento, que pode estar:
- Nas conexões entre a unidade interna e a tubulação de cobre
- Em algum ponto da tubulação (curvatura amassada, corrosão, microtrincas)
- Na válvula do condensador
- Na soldagem das conexões de cobre
Como o técnico diagnostica a falta de gás?
O diagnóstico correto envolve medição com manômetro, não tentativa e erro.
O técnico conecta o manômetro de serviço ao sistema e mede a pressão na linha de baixa pressão. Com essa medida e a temperatura ambiente, é possível calcular se o nível de gás está dentro dos parâmetros do fabricante.
Outros indicadores durante a diagnose:
- Temperatura do ar na saída da unidade interna (deve ficar entre 8 e 12 graus abaixo da temperatura de entrada)
- Formação de gelo ou geada na tubulação de cobre (sinal de nível muito baixo)
- Corrente elétrica do compressor (abaixo ou acima do especificado pode indicar problema no gás)
O que é feito na carga de gás?
Uma carga de gás bem executada tem as seguintes etapas:
1. Localização do vazamento Antes de qualquer coisa, o técnico precisa encontrar o ponto de perda. Isso pode ser feito com detector eletrônico de gás, solução de sabão nas conexões (bolhas indicam vazamento) ou pressurização com nitrogênio.
2. Correção do vazamento O ponto com vazamento precisa ser corrigido. Pode ser aperto de conexão, troca de vedação ou soldagem de cobre, dependendo do caso. Sem corrigir, o gás que for inserido vai vazar novamente em semanas ou meses.
3. Vácuo Após o reparo, é feito vácuo no sistema para retirar ar e umidade antes de inserir o gás novo. Pular essa etapa compromete o funcionamento e pode danificar o compressor.
4. Carga de gás calibrada O gás é inserido conforme o tipo especificado na plaqueta do equipamento (R-22, R-410A, R-32 ou outro) e a quantidade é medida por peso ou pressão, de acordo com as especificações do fabricante. Excesso de gás é tão prejudicial quanto falta.
5. Teste final Com o sistema carregado, o técnico verifica novamente as pressões, a temperatura do ar e o funcionamento geral antes de encerrar o serviço.
Serviço feito sem localizar o vazamento
Se um técnico oferecer “completar o gás” sem mencionar a localização e correção do vazamento, desconfie. Isso significa que o gás inserido vai vazar novamente, o compressor pode ser danificado por trabalhar com carga errada, e você pagará pelo mesmo serviço novamente em pouco tempo.
O serviço correto identifica o problema, corrige a causa e só então completa a carga.
Tipos de gás refrigerante
Os mais comuns em equipamentos residenciais são:
- R-410A: o mais utilizado em aparelhos modernos (a partir de 2010 aprox.)
- R-32: encontrado em aparelhos mais recentes, mais eficiente e com menor impacto ambiental
- R-22: aparelhos mais antigos; esse gás está em fase de eliminação por ser prejudicial à camada de ozônio
A substituição de gás por tipo diferente do especificado pelo fabricante não é recomendada e pode danificar o equipamento.